Em meio a crise
econômica representantes das gigantes brasileiras se contradizem com a realidade
A revista
IstoÉ Dinheiro, desta semana, traz reportagens sobre o balanço da economia das maiores empreendedoras no Brasil. Os lucros dessas empresas no terceiro trimestre deste ano foram extraordinários. Mas
outubro chegou e a crise agravou o mercado financeiro do Brasil. Ela derrubou bolsas, o Banco Central tomou providências para que a situação não piorasse ou prolongasse, as organizações privadas começaram a demitir funcionários e os supermercados deram início ao aumento dos preços nos produtos. Porém, alguns empresários, segundo as reportagens, não têm visão do quadro que se instalou em seus negócios, pois suas informações não condizem com a realidade de suas empresas.
Para o presidente da
Fiat,
Cledorvino Belini, o Brasil não está em crise e sua economia continua forte "Não vamos criar uma crise onde não existe". Mas se não há crise porque a
Fiat anunciou férias
coletivas para seus trabalhadores no mês de
outubro?
Somente em
setembro deste ano a venda de veículos importados registrou uma queda de 10% e segundo o Ministério do Desenvolvimento, o resultado da balança comercial de
outubro apresentou uma desaceleração de 56,2% em relação ao mês anterior.
O presidente da Vale do Rio Doce,
Roger Agnelli, diz que o lucro da
cia. no terceiro trimestre foi de R$ 12,4
bilhões e classificou o resultado como surpreendente. Mas nesta sexta feira, 31, a empresa informa que irá reduzir sua produção nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá. Os funcionários dessas
mineradoras entrarão em férias
coletivas e devido ao corte na produção a balança comercial brasileira será
afetada.
O mais interessante foi o
diretor de marketing e vendas da
GM do Brasil, Marcos
Munhoz, afirmar que mesmo diante dos sinais de recessão global a empresa terá um crescimento de quase 80%. Porém o Sindicato dos Metalúrgicos foi informado pela empresa nesta sexta-feira, 31, que irá conceder novo período de férias
coletivas para aproximadamente 12 mil funcionários.
É importante lembrarmos, que até o início de
setembro deste ano a
Bovespa registrava lucros "recordes" para seus investidores e o dólar chegou à casa de R$ 1,56. Os bancos e as empresas nunca tiveram lucros tão extraordinários durante anos, mas a crise chegou ao Brasil e já estamos vendo seu resultado,
exceto eles.
Se no "mundo das gigantes brasileiras" não há crise, no mundo das pequenas e para a sociedade ela já iniciou e não tem previsão do seu fim. Quem sofre, mais uma vez, são os funcionários que não terão renda, muito menos emprego, para sustentar suas famílias.
Espero que o Lula, realmente, esteja preparado para esta crise e que seu discurso se concretize diante deste cenário, pois não somente empresas, mas pessoas que perderam seus empregos necessitarão do auxílio do governo.
Por
Andrea Machado